20 de março de 2020
Como Marketing e Comunicação podem ajudar nessa Pandemia?

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Estamos na segunda quinzena de março de 2020 e já sentimos qual vai ser a toada para as próximas semanas com a chegada, de fato, do Covid-19, conhecido como Coronavírus, na nossa realidade.

Obviamente, você, leitor, deve estar bem inserido em que patamares de discussão estamos aqui pelo Brasil, então me permitirei fugir um pouco dos assuntos mais debatidos nesse momento — home office, lavar as mãos, beber água, procurar a opinião de médicos, evitar contato corporal e ajudar o nosso Brasilzão a achatar a curva de contágio para garantir que o nosso sistema público dê conta de atender todas as pessoas com a melhor qualidade possível.

Dito isso, gostaria de debater dois aspectos desse nosso cotidiano tão particular de pandemia.


Atenção, preocupação e histeria: o que muda na nossa economia?

Diferente de outros países com culturas econômicas mais enraizadas em seu povo, podemos afirmar que a população, em sua grande maioria, não está preparada para eventos de calamidade pública como esse que estamos vivendo. Não é como se uma parcela razoável estivesse preparada, com a conta no banco a seu dispor, para viver tranquilamente dois a três meses sem trabalhar e receber por isso. Por isso, a preocupação natural daqueles que olham para a economia com olhos de atenção redobrada, já que uma recessão está por vir, e maneiras de mitigar ou atenuar, ao menos, os seus efeitos passam, naturalmente, por estratégias de comunicação e marketing

A maioria dos segmentos de mercado enfrentarão momentos difíceis pela frente, mas podemos dar um foco em especial para as micro e pequenas empresas que nos rodeiam no dia a dia. Aquele café legal ao lado do seu escritório, a academia onde você se exercita no seu bairro, o mecânico que fica no caminho da faculdade, enfim, essas pequenas empresas tendem a ser as primeiras a sentirem os impactos de um momento caótico como esse.

Essa situação do micro e pequeno empresário é muito mais delicada, pois negócios como esses, no Brasil, em decorrência das altas taxas tributárias e outros eventos, tendem a não ter grandes margens de lucro, o que em um momento de desligamento de colaboradores e pagamento de compromissos financeiros (aluguéis, insumos já comprados e etc) acaba fazendo com que a decisão difícil de fechar ou não as portas tenha que ser debatida muito mais precocemente, a fim de evitar um tombo maior lá na frente.

Justamente por causa disso, muitas pessoas têm inserido em suas redes sociais incentivos de fomento aos pequenos negócios do dia a dia. Há um esforço para que as pessoas optem pelos pequenos mercados em vez dos grandes hipermercados, que se prossiga indo à cabeleireira do bairro e não ao grande salão de grife e assim por diante. 

Essa visão se segura no argumento de que “um mês difícil” pode quebrar um micro ou pequeno empresário e parece estar correto afirmar isso, certo?

Certo! Mas talvez o buraco seja um pouco mais embaixo do que se pensa.

Quem tem, tem medo

A probabilidade dessa crise que estamos vivendo e que, ao que tudo indica, vai nos acompanhar nos próximos 60 dias, quebrar uma grande empresa como um grande mercado ou uma grande rede de farmácias, por exemplo, é bem, bem remota.

Isso quer dizer, então, que o argumento apresentado anteriormente de comprar exclusivamente dos micro e pequenos empresários por ser uma maneira de resguardar nossa economia local, uma vez que as grandes corporações “não vão sentir tanto assim”, é válido?

Mais ou menos.

Independente do tamanho da rede ou da empresa, em cada cenário existem pessoas que são responsáveis por analisar as situações de mercado e negócios em que trabalham.

Somente através de práticas rígidas de gestão e boas práticas financeiras é que essas grandes empresas ficaram do tamanho que ficaram (obviamente, não vou me estender em outros aspectos, como estratégia, parcerias firmadas e outras milhares de coisas). Ou seja, caso um grande mercado tenha seu número de compradores de forma drasticamente reduzida, se por um acaso as pessoas realmente se mantiverem trancadas em casa sem consumirem, se isso ocorrer, naturalmente essas grandes empresas também adotarão medidas de austeridade.

Isso é só para ilustrar como, para variar, o nosso Brasilzão não é para amadores e que, na crise, como na nossa vida de forma geral, não há uma resposta fácil.

Se você não incentivar os pequenos negócios, eles estarão mais expostos à falência. Se você não for às grandes estruturas, elas não se justificarão, gerando medidas de austeridade.

É isso aí, o brasileiro ensinando pro mundo: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Comunicação, solução e combate à pandemia

Seguramente, pequenas práticas do dia a dia já fazem a diferença. Consumir o comércio e a economia local pode fazer uma incrível diferença, e ficar atento às boas práticas de convívio e higiene nesse momento complicado são essenciais para que passemos por isso da melhor forma possível.

A grande questão é o que mais pode ser feito nesse momento. O que comunicador, comunicólogos, profissionais do marketing e agências podem fazer além das boas práticas como cidadãos.

Da mesma forma que aplicativos de trânsito nos auxiliam no nosso dia a dia, oferecendo mais de uma rota para o mesmo destino, a fim de desafogar o trânsito, o comunicador precisa ser um agente do bom-senso e avaliador das potencialidades de uma marca, a fim de criar possibilidade de expressão e relacionamento com seus consumidores. Por aqui, estamos debatendo bastante, internamente e externamente, para entender o nível de desafio que nossos clientes estão enfrentando. Queira ou não, o panorama ainda está meio nublado, e não temos uma visão clara sobre todos os efeitos práticos. Existem diversos decretos que ainda irão restringir algumas situação enquanto, também, algumas posições do governo podem atenuar, através de incentivos, alguns danos gerados pela pandemia.

Com tudo isso em jogo, o papel que podemos desempenhar no momento é justamente na área de inovação, expandindo possibilidades de negócios para nossos clientes, seja através de uma nova entrega de serviços ou produtos, seja por meio de práticas que auxiliem a comunidade com a qual a marca esteja relacionada.

Talvez seja a hora da academia que você atende desenvolver o modelo de aulas via videoconferência, o que contribui para a atividade e redução de estresse da população; o armazém do bairro pode fazer um delivery de um combo de alimentos saudáveis (sucos, saladas e grãos que auxiliem na manutenção do corpo) por preços especiais; tatuadores podem tentar vender seu conteúdo técnico e conhecimento de arte e cultura em formato de vídeoaulas e assim por diante.

No mercado imobiliário, opções como visitas e tours virtuais têm recebido protagonismo nesse momento. Além disso, é o momento de corretores se aproximarem de seus clientes através dos já tradicionais meios de comunicação digital (WhatsApp, Messenger e etc.) para levar mais informação aos clientes sobre produtos, taxas e opções de mercado nesse momento.

Além de práticas mais econômicas que podem auxiliar nossos clientes a manterem o fôlego, é crucial que a base de relacionamento mantida com seus próprios clientes seja íntegra. Não é a hora de se calar, mas sim de entender como está sendo afetada a realidade dos consumidores para avaliar se é possível auxiliá-los para além dos produtos e serviços comuns. Temos exemplos de cervejarias que estão reduzindo a sua produção de bebidas para produzirem álcool em gel que será doado para a população em hospitais e clínicas.

Ações de relacionamento, entendimento e diálogo como essas são cruciais justamente para o dia 1 após a crise. Mal ou bem, iremos passar por essa pandemia e teremos um mundo para reconstruir para nossos parceiros, colaboradores, amigos e famílias. E se você deseja que daqui 60 dias esse cenário seja o melhor possível, a hora de trabalhar e preparar isso é agora.

Resguarde-se, mas não pare!

É isso.

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